Vol 11 Num 1




Répteis da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, Brasil Central

Renato Sousa Recoder

Universidade de São Paulo
Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências. Rua do Matão, Trav. 14, nº 321, Cidade Universitária, Caixa Postal 11461, CEP 05422-970, São Paulo, SP, Brasil
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Mauro Teixeira Junior

Universidade de São Paulo
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Agustín Camacho

Universidade de São Paulo
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Pedro Murilo Sales Nunes

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Tamí Mott

Universidade Federal de Mato Grosso
Av. Fernando Correa da Costa s/n, Coxipó, CEP 78060-900, Cuiabá, MT, Brasil
Paula Hanna Valdujo

Universidade de São Paulo
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José Mario Ghellere

Universidade de São Paulo
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Cristiano Nogueira

Universidade de Brasília
Conservação internacional do Brasil, programa Cerrado-Pantanal. Departamento de Zoologia, 70910-900, Brasília DF
Miguel Trefaut Rodrigues

Universidade de São Paulo
Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências. Rua do Matão, Trav. 14, nº 321, Cidade Universitária, Caixa Postal 11461, CEP 05422-970, São Paulo, SP, Brasil

palavras-chave
Cerrado, Squamata, lagartos, serpentes, anfisbenas, diversidade, Jalapão, conservação

publicado em: 18/03/2011





Resumo
Os Cerrados sul-americanos abrigam alta diversidade de répteis, incluindo elevado número de endemismos. No entanto, o conhecimento desta diversidade é ainda incompleto frente à acelerada transformação das paisagens naturais no Brasil central. Constituem, portanto, uma das regiões prioritárias para estudo e conservação da biodiversidade mundial. Estudos intensivos sobre a fauna de répteis do Cerrado são necessários e urgentes para melhor compreensão dos processos que levaram à sua origem e distribuição e para subsidiar ações de conservação. Por meio de métodos padronizados, amostramos duas regiões ainda inexploradas da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, situada na região do Jalapão. Registramos 45 espécies de répteis para a EESGT e entorno, o que representa uma riqueza alta e comparável à de outras regiões bem amostradas do Cerrado. Curvas de acumulação e estimadores indicam que a riqueza local de lagartos e anfisbenídeos aproxima-se da riqueza real enquanto a de serpentes é subestimada. A distribuição não-aleatória das espécies na paisagem concorda com evidências anteriores sugerindo utilização diferencial dos hábitats pelos répteis. Reunindo os resultados do presente estudo com os de levantamentos prévios realizados na região, registramos 88 espécies de répteis para o Jalapão sendo oito registros novos que incluem Bachia  oxyrhina  uma espécie recém descrita da região. As espécies da área apresentam três padrões gerais de distribuição: (1) espécies endêmicas do Cerrado, (2) espécies compartilhadas com domínios da diagonal de formações abertas sul-americanas, e (3) espécies de ampla ocorrência, compartilhadas também com ecossistemas florestais. Prevalecem espécies de ampla distribuição, porém é grande o número de espécies típicas do Cerrado, incluindo cinco possivelmente endêmicas do Jalapão, e há contribuição importante da fauna da Caatinga. A distribuição dos répteis em escala local e regional demonstra a necessidade de considerar a heterogeneidade paisagística para o planejamento de diretrizes visando à conservação em regiões do Cerrado. Por sua grande extensão, posição biogeográfica e complexidade de relevo e tipos de hábitat, a EESGT tem papel fundamental para a preservação e conhecimento da diversidade de répteis do Cerrado.

como citar este artigo
Recoder, R. S.; Teixeira Junior, M.; Camacho, A.; Nunes, P. M. S.; Mott, T.; Valdujo, P. H.; Ghellere, J. M.; Nogueira, C. e Rodrigues, M. T. Répteis da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, Brasil Central. Biota Neotrop.  Jan/Mar 2011 vol. 11, no. 1 https://www.biotaneotropica.org.br/v11n1/pt/abstract?article+bn03611012011 ISSN 1676-0603.

Espécies citadas
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