Composição e história natural das serpentes de Cerrado de Itirapina, São Paulo, sudeste do Brasil

Ricardo J. Sawaya
Universidade Estadual de Campinas
present address: Laboratório Especial de Ecologia e Evolução, Instituto Butantan. Av. Doutor Vital Brazil, 1500. C.E.P. 05503-900 São Paulo, São Paulo, Brasil
email: sawaya@butantan.gov.br
Otavio A. V. Marques
Instituto Butantan
Laboratório Especial de Ecologia e Evolução, Instituto Butantan. Av. Doutor Vital Brazil, 1500. C.E.P. 05503-900 São Paulo, São Paulo, Brasil
Marcio Martins
Universidade de São Paulo
Departamento de Ecologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, C.E.P. 05508- 090 São Paulo, São Paulo, Brasil.

palavras-chave
Biodiversidade, História natural, Squamata, Serpentes, Cerrado, Itirapina, São Paulo, Brasil


Resumo
As taxocenoses de serpentes neotropicais apresentam alta riqueza de espécies e estruturas complexas. O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil e foi incluído entre os 25 hotspots globais de biodiversidade. No sudeste do Brasil, as áreas remanescentes de cerrado têm sofrido intensa destruição, e atualmente restam menos de 2% da vegetação natural de Cerrado no Estado de São Paulo. Praticamente nenhum estudo detalhado sobre serpentes do Cerrado foi realizado nesta região. A região de Itirapina apresenta um dos últimos remanescentes bem preservados de cerrado aberto no Estado de São Paulo. Nosso objetivo neste trabalho foi o estudo da história natural e composição das serpentes de Cerrado da região de Itirapina. Nós realizamos uma amostragem de campo extensiva combinando seis métodos de amostragem na Estação Ecológica de Itirapina e áreas alteradas de Cerrado nas proximidades (municípios de Itirapina e Brotas), em 101 viagens durante 43 meses, entre setembro de 1998 e março de 2002, o que correspondeu a 446 dias de amostragem de campo. Também coletamos dados adicionais a partir de espécimes de coleções científicas. Apresentamos dados sobre tamanho, abundância geral, uso do ambiente e substrato, atividade diária e sazonal, dieta, reprodução e defesa. Também comparamos a taxocenose de serpentes de Itirapina com nove taxocenoses de serpentes do Brasil, incluindo a Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e outras formações abertas. Registramos na região de Itirapina 36 espécies de serpentes entre 755 indivíduos encontrados no campo e seis registros de coleções científicas e literatura, pertencentes a 25 gêneros de cinco famílias. As comparações entre taxocenoses indicam que o Cerrado apresenta uma identidade própria em relação à composição de espécies de serpentes. Apesar de limitada a um pequeno fragmento (cerca de 2300 ha), a Estação Ecológica de Itirapina apresenta fisionomias conservadas e representativas de Cerrado, que abrigam uma fauna de serpentes rica e típica do Cerrado. A ocorrência de algumas espécies apenas no interior da reserva também indica que a Estação Ecológica de Itirapina é de importância fundamental para a manutenção da biodiversidade do Cerrado.



Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq
© BIOTA NEOTROPICA, 2008