Vol 2 Num 1




Medidas de fluxos de CO2 em um Cerrado Sensu stricto no sudeste do Brasil

Humberto R. da Rocha

Departamento de Ciências Atmosféricas, IAG/Universidade de São Paulo
email: humberto@model.iag.usp.br

Helber C.Freitas

Departamento de Ciências Atmosféricas, IAG/Universidade de São Paulo
Rafael Rosolem

Departamento de Ciências Atmosféricas, IAG/Universidade de São Paulo
Robinson I.N. Juárez

Departamento de Ciências Atmosféricas, IAG/Universidade de São Paulo
Rafael N. Tannus

Departamento de Ciências Atmosféricas, IAG/Universidade de São Paulo
Marcos A. Ligo

EMBRAPA Meio Ambiente
Osvaldo M. R.Cabral

EMBRAPA Meio Ambiente
Maria A. F. Silva Dias

Departamento de Ciências Atmosféricas, IAG/Universidade de São Paulo

palavras-chave
Cerrado, savana, fotossíntese, respiração, sequestro de carbono, correlação dos vórtices turbulentos

publicado em: 30/06/2002





Resumo
A técnica de correlação dos vórtices turbulentos (eddy correlation) foi utilizada para se estimar a produtividade líquida do ecossistema (PLE) em uma área de Cerrado Sensu stricto, no sítio experimental da Gleba Pé de Gigante, no sudeste do Brasil. O conjunto de dados coletados incluiu também medidas de variáveis climatológicas e de respiração do solo com câmaras estáticas, no período de 10 de Outubro de 1999 a 30 de Março de 2002. A respiração do solo média anual foi de 4.8 μmolCO2m-2s-1, com diferenças sazonais que variaram entre 2 a 8 μmolCO2 m-2s-1 durante a estação seca (Abril a Agosto) e na estação chuvosa, respectivamente, por um padrão de sensível correlação com a temperatura (Q10=4.9) e umidade do solo. Com base nos fluxos atmosféricos de CO2, a PLE mostrou uma variabilidade no ciclo diurno grandemente controlada pela radiação solar, umidade e temperatura do ar. Na escala sazonal, a umidade do solo foi uma variável de alta correlação com a PLE, que aparentemente induziu a queda de folhedo, redução da atividade fotossintética e da respiração do solo. O sinal da PLE foi negativo (sumidouro) na estação chuvosa e no início da estação seca, com taxas de ≈ -25 kgCha-1dia-1, e máximos de até -40 kgCha-1dia-1. Na estação seca o sinal foi positivo (emissão), o que foi revertido logo no início das chuvas. No fim da estação seca, em dias de grande estresse hídrico, ainda observou-se a resposta da fotossíntese na escala do ecossistema, mesmo tendo sido positiva a PLE. Paralelamente ao decorrer da estação seca, a PLE progressivamente aumentou de -5 até 50 kgCha-1dia-1. A soma annual da PLE mostrou-se aproximadamente balanceada, tendo sido no entanto, sob um viés de maior precisão, um pequeno mas significativo sumidouro de -0.1 ± 0.3 tCha-1ano-1. Consideramos a hipótese de um pequeno sumidouro como possivelmente realista, dadas às restringentes correções impostas no cálculo dos fluxos turbulentos, e algumas hipóteses favoráveis de sucessão de estágios do Cerrado, fertilização de CO2 atmosférico e variabilidade climática.



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