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Do BIOTASP à Internet 2
Oito de abril de 1996, Auditório da FAPESP. Um grupo de cerca
de 40 pesquisadores discute sobre a possibilidade de organizarem um Projeto
Especial de Pesquisa em Conservação e Uso Sustentável
da Biodiversidade. Fala-se em criar mecanismos para a implementação,
no âmbito do Estado de São Paulo, da Convenção
sobre a Diversidade Biológica, aprovada no decorrer da Conferência
das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento/CNUMAD
(ECO-92) em junho de 1992 e ratificada pelo Congresso Nacional em fevereiro
de 1994.
As discussões abordam questões como a complexidade e
a abrangência da temática conservação e uso
sustentável da biodiversidade, a elevada fragmentação
das informações disponíveis sobre a biota do Estado,
a inexistência de mapas de campo atualizados e atualizáveis,
e a indiscutível premência de uma política que contivesse
e revertesse o desaparecimento de habitats e espécies. Outro aspecto
muito discutido é o distanciamento entre os pesquisadores que detêm,
e continuam a gerar, as informações científicas e
técnicas de alta qualidade sobre a biodiversidade e os órgãos
que propõem e/ou administram as políticas de conservação
e uso sustentável dos recursos naturais do Estado.
O que fazer? Como alterar esta situação? Como contribuir
para melhorar este cenário sem perder nossa principal característica,
produzir ciência de alto padrão. Todos estavam dispostos a
cooperar, a trabalhar em prol de um projeto ainda vago e sem um formato
definido, de voluntariamente investir parte de seu tempo e capacidade no
desenvolvimento da idéia alí lançada, envolver a FAPESP
num grande Projeto de Pesquisas em Conservação e Uso Sustentável
da Biodiversidade. Nascia o BIOTASP!
Ao longo dos três anos subsequentes o Grupo de Coordenação
do BIOTASP publicou a série Biodiversidade do Estado de São
Paulo: síntese do conhecimento ao final do século XX, sintetizando
o conhecimento até então disponível sobre a biota
paulista e a infraestrutura para sua conservação in situ
e ex situ. Além disso, promoveu o histórico Workshop de Serra
Negra e organizou a comunidade científica em torno de um conjunto
de Projetos Temáticos articulados em torno de objetivos comuns.
Em março de 1999 nascia o Programa BIOTA/FAPESP - O Instituto Virtual
da Biodiversidade.
O Programa BIOTA/FAPESP, que nasceu de uma iniciativa da comunidade
científica, representa, sem dúvida, um divisor de águas
entre a imprescindível etapa dos inventários sobre a composição
do biota paulista e um programa de pesquisas em conservação
e uso sustentável da biodiversidade.
Em um programa com este objetivo era necessário não só
dar continuidade à importante tarefa de descrever e catalogar espécies,
como também desenvolver projetos de pesquisa que incorporassem os
aspectos estruturais e funcionais da biodiversidade, a distribuição
espacial e temporal dos organismos e as relações entre seus
componentes nos diversos níveis organizacionais. Além disso,
era também necessária a valorização da biodiversidade,
a tentativa de estabelecer um vínculo entre os serviços e
produtos da diversidade biológica e os sistemas produtivos.
A partir da criação do Programa ocorreu, concomitantemente,
o início dos Projetos Temáticos aprovados e o desenvolvimento
das ferramentas de integração, dos dados coletados pelos
projetos que integram o Instituto Virtual da Biodiversidade. Estas ferramentas,
o banco de dados textuais e a base cartográfica digital na escala
1:50.000 foram recentemente integradas pelo SinBiota, o Sistema de Informação
Ambiental do Programa BIOTA/FAPESP.
Cinco anos depois, uma análise retrospectiva, evidencia
o sucesso de uma experiência ímpar, a criação
e implantação do Programa BIOTA/FAPESP. A funcionalidade
das ferramentas de integração desenvolvidas pelo Programa
nos faz crer que, num futuro não muito distante, elas serão
replicadas em outros estados e regiões do país. Idealmente,
em alguns anos, teremos diversos Biotas que, interconectados, resultarão
em um BIOTA/Br. O processo de criação do BIOTA/FAPESP, entretanto,
dificilmente se repetirá, pois ele é o resultado do amadurecimento
da comunidade científica do Estado de São Paulo em torno
das premissas da Convenção sobre a Diversidade Biológica.
A tônica do Programa BIOTA/FAPESP é a busca incessante
de novas ferramentas de integração. O lançamento da
BIOTA NEOTROPICA, revista eletrônica "on line only", com o objetivo
de publicar e disponibilizar informações relevantes para
o conhecimento da biodiversidade da região Neotropical, é
apenas mais uma etapa deste complexo processo iniciado em abril de 1996.
Carlos Alfredo Joly Coordenador do Programa BIOTA/FAPESP
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